Hyunwoo não tem do que reclamar da vida: a carreira é boa, o futuro tem muitas certezas, os pais estão curtindo a aposentadoria, a irmã mais velha acabou de se casar e ele, quando volta pra casa, é recebido pela sua gatinha (que de "inha" não tem nada) cheia de ronrons e pronta pra dormir sobre o seu peito como se não se vissem há dias, ao invés de um plantão de 12 horas no Corpo de Bombeiros de Yongsan.

Às vezes ele encontra um inseto parcialmente devorado em cima da cama, o bichinho inocente o suficiente pra não saber da grande predadora que vive lá, mas isso ele leu que é normal. Enquanto Hyunwoo alimenta Mandu com a ração mais cara que existe e mais churu do que deveria, a gata retribui o cuidado com bichos que ele precisa fingir comer — ou ela inventa que não estão mais em bons termos diante da recusa.

Mas a vida é boa, de verdade. Nunca foi tão boa quanto agora, enquanto ele conquista tudo o que sempre quis. Ele até quitou recentemente o carro que comprou anos atrás, fruto de muito esforço, e agora assinou o contrato da casa que tem orgulho de estar financiando pelos próximos 25 anos. Também ajudou com um pouco aqui e ali no casamento da irmã e na aposentadoria dos pais, já que ver a vida de todo mundo tranquila faz a sua ser ainda melhor.

Porque Hyunwoo ama demais a ideia de família. Sempre amou. Desde pequeno, soube que queria ter uma casa grande, murada, com tanta gente debaixo do mesmo teto que jamais se sentiria sozinho. A mesma casa que ele paga hoje em dia, porque nunca foi de abandonar sonhos. O problema? Os pais preferem viver na casa da sua infância, já que todas as memórias estão lá, e a irmã casada, obviamente, mora com o marido. E Hyunwoo... sobrou.

Não é que ele esteja desesperado pra construir uma família agora, aos 27, nem que sinta que está atrasado em comparação a todo mundo ao seu redor. Mas seria muito mais gostoso voltar pra casa no fim de um plantão cansativo e, junto da sua gatinha, encontrar também alguém que responda às suas reclamações sobre o dia com algo além de miados resmungões que, aos seus ouvidos, soam muito como “Miau, pai, já deu de me beijar, vai colocar minha comida, miau”.